Trabalho Remoto é um Desastre para Desenvolvedores Júnior. E é Nossa Culpa

O Trabalho Remoto é um Desastre para Desenvolvedores Júnior. E é Nossa Culpa.

Ferid Brković

Eu adoro trabalhar da minha sala de estar. Mas preciso admitir uma dura verdade: estou puxando a escada atrás de mim.

Foto por Yasmina H no Unsplash

Eu adoro o trabalho remoto.

Adoro não precisar me deslocar.

Adoro poder fazer espresso na minha própria cozinha.

Adoro poder programar de moletom.

Mas tenho uma confissão a fazer. Se eu tivesse começado minha carreira em 2025 em vez de 2015, eu teria fracassado.

Precisamos falar sobre a “Geração Perdida” de Desenvolvedores Júnior. Estamos contratando-os. Estamos dando-lhes laptops. Estamos convidando-os para o canal do Slack. E então os estamos deixando morrer.

A Morte da Osmose

Quando eu era Júnior, não aprendi com documentação. Aprendi por Osmose.

Eu sentava ao lado de um Engenheiro Sênior chamado Dave. Dave não me “mentoriava” em sessões formais 1:1.

  • Eu o ouvia suspirar quando um deploy falhava.
  • Eu o via sair furioso do vim e abrir o VS Code.
  • Eu o ouvia discutir com o Gerente de Produto sobre esquemas de banco de dados.

Eu absorvi a cultura de engenharia apenas respirando o mesmo ar.

Em um mundo remoto, a osmose está morta. O silêncio é o estado padrão. Um Desenvolvedor Júnior senta-se sozinho em seu quarto. Quando fica preso, fica olhando para a tela por 4 horas porque tem medo de “incomodar” alguém no Slack.

A Barreira do “Zoom”

Dizemos aos Júniores: “Basta entrar em contato se tiver dúvidas!”

Isso é uma mentira.

Em um escritório, virar sua cadeira para fazer uma pergunta rápida leva 5 segundos de capital social. No Slack, digitar a pergunta, formatar o trecho de código e esperar um recibo de leitura leva 50 pontos de capital social. Parece uma interrupção formal.

Então eles não perguntam. Usam o ChatGPT. E o ChatGPT dá a eles uma resposta que funciona, mas não explica por que funciona. Não diz que essa solução vai derrubar o servidor em 3 meses.

Estamos Puxando a Escada

Engenheiros Sênior adoram o trabalho remoto porque já temos o contexto. Sabemos a quem perguntar. Sabemos onde estão os corpos enterrados. Estamos lucrando com as redes que construímos pessoalmente há 10 anos.

Mas estamos roubando da próxima geração a mesma oportunidade.

A Solução: “Híbrido Agressivo” ou “Vadiagem Digital”

Se quisermos salvar esta geração, precisamos mudar como trabalhamos remotamente.

  1. Canal “Microfone Aberto”: Minha equipe tem um canal de voz no Discord que está sempre aberto. Você não precisa falar. Apenas fique lá. Se um Júnior suspirar, eu ouço. Pergunto: “O que houve?” Isso replica o barulho do escritório.
  2. Programação em Par é Imprescindível: Não “quando você estiver preso”. Todos os dias. Por uma hora. Me veja programar. Me veja pesquisar coisas que não sei. Me veja cometer erros.
  3. Regra “Câmera Ligada” (para depuração): Quando depuramos, não apenas digitamos. Entramos em vídeo. Você precisa ver o pânico nos meus olhos para entender a gravidade do bug.

O trabalho remoto veio para ficar. Mas se não consertarmos a lacuna de mentoria, vamos acordar em 5 anos e perceber que não há mais Engenheiros Sênior — apenas Sêniores que se aposentaram e Júniores que nunca cresceram.

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Escrito por Ferid Brković

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